sexta-feira, 26 de julho de 2013

7º desafio


Qual será a cor da revolta? Escreva sobre ela.

                (Não tenho dinheiro. Estou desempregada.)

Revelo tudo desta experiência a troco de três reivindicações. Submeti os sentimentos ao espectrofotómetro e descobri a sua cor. Fiz uma lista, um TOP 5 que um “Era uma vez um Portugal” sentiria, se pudesse sentir: comecei pela REVOLTA. Pensei em situações de vida e de não vida, nas pessoas e nos outros: chorei um Portugal que um dia foi um País, e na revolta comedida e remediada da maioria dos portugueses, nos quais me incluo.

(Preciso de dinheiro; sou capaz de o roubar – vender o corpo, é que não!).

                Desprovida de emoção, examinei-a: a minha retina transformou-se num Prisma de Goethe e vi, por espectrofotometria, a cor da revolta – três segundos de pura revolta colorida. Tantas horas se passaram… a pão e água, a água (só)… Por fim, a descoberta do século: será uma revelação surpreendente, com transmissão em direto para o mundo - esqueçam as outras duas exigências, basta-me dinheiro. A veracidade do resultado é inquestionável e um milhão de euros por uma descoberta deste calibre é uma pechincha – ofereço a patente.

AZUL. Não, esperem! Queria antes dizer: verde (Sporting); minto – vermelho (Benfica!). Azul? Estarei só eu confusa ou apenas a tentar endrominar-vos? Enquanto eu não revelar a minha descoberta, persistirá a completa desgovernação, toda uma Bandeira enxovalhada à espera de salvamento. Abro a janela para desanuviar o ar e pressinto uma hipoglicemia: tonturas e suor (e outra lágrima). Se for preciso mentir, eu minto (nunca acreditem nos mentirosos), mas por um milhão de euros eu conto tudo e nunca mais ouvirão falar de mim. Palavra de honra que não. Apanho um avião – desses que ainda voam – e ponho-me a milhas daqui. Vender o corpo é que não.

(Amanhã é dia de pagar a prestação da casa. Não me lixem).

Para não deixar pistas, rapidamente desmonto o arsenal de aparelhos e queimo os rascunhos dos cálculos que fiz para as experiências-teste. Sorrio-me: neste momento sei de coisas que mais ninguém sabe. Imagino champanhe nos tubos de ensaio e brindo a mim. Dispo a bata, fecho a porta do laboratório clandestino – um quarto na minha casa - (duas voltas e o trinco de segurança) e assobio de mim para mim o Trem das cores de Caetano Veloso, tentando controlar a taquicardia, normal, quando se acabou de fazer uma descoberta que nos fará – e à humanidade - mudar de vida.

(Tenho fome.)


Adeus Portugal.

(GOSTARAM?! Vão lá agora ler o da CARLINHA)

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