domingo, 25 de março de 2012

Engenheiros, doutores e sangria

Aí há dias, por questões relacionadas com trabalho, fui a um cocktail - jantar com gente engravatada e senhoras com malas L. Vuitton, sapatos de sola vermelha, pandoras de mais de mil euros e outros adereçozitos do género.
Sorriso de circunstância (eu não sou assim - como dizia o Outro, "o meu reino não é deste mundo") e lá me fui integrando como pôde (ou talvez não). A sangria de champanhe (muuuuuita sangria) ajudou e já no fim do jantar tratava por tu a maior parte das dondocas - escapavam, a meu ver, duas ou três, que levavam o mesmo sorriso que eu -  que se sentaram a meu lado (elas estavam piores do que eu) e trocava olhares All-that-jazz com os senhores doutores e engenheiros engravatados (a cirurgia que fiz recentemente àquela variz que me estragava as pernas de Tina-turner contribuiu para o meu relativo sucesso no meio dos XY; juro que não levei decote).
Mesmo um tanto ou nada inebriada o que me chocou (não foram os BMW, mercedes, jóias ou afins) foram as aparentes novas regras de etiqueta (preciso urgentemente de actualizar-me): eram facas levadas à boca, cotovelos em cima da mesa, fumo em local proibido, comer a fruta da sangria usando as mãos como garfo... uuiii... coisinhas assim do género, claro, todas precedidas por Sr. Engenheiro ou Sr. Doutor, que isso dos títulos e gravatas dá sempre outro ar à coisa - é mais "fino".
Cheguei à cama deprimida com a minha desactualização: Paula Bobone, se me estás a ouvir, vem cá a casa que eu sirvo-te um chazinho enquanto me dás umas aulas práticas, a ver se da próxima vez (daqui a um século, espero) me sinto mais integrada e faço umas figurinhas à maneira. E é isso.
(Agora adeus, que a Princesa aqui vai virar Gata-Borralheira porque o almoço e a casa arrumada não aparecem só porque eu "quero muito").

5 comentários:

  1. Adoro quando lhes salta o pé do chinelo... O teu texto só prova que o dinheiro ou um título não compram educação. Odeio o culto de Doutores e Engenheiros que os portugueses fazem. Eu sou só "menina" a todo o lado que vou. Inclusive para os meus clientes. E não me chateio minimamente. Para mim, "menina" é sinal de respeito. Mas acreditas que tive uma colega (da minha idade, nem sequer era "veterana") que, ouvindo um cliente chamar-me "menina" no hall do tribunal, me perguntou "mas tu deixas que te chamem assim? Não te chamam Dra.?"?. Eu perguntei-lhe em que é que isso me faria mais feliz ou melhor profissional e ela ficou com cara de tacho. Odeio gente presunçosa!

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  2. Opá o que me ri a tentar imaginar as figurinhas!
    Carlinha, sabes a meu ver quem consegue ser a classe mais exigente? As "dr.ª" assistentes sociais... são um must see!

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  3. Ai, Dreia! São o meu ódio de estimação! Coisinhas irritantes! As verdadeiras "doutoras".

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  4. Tudo muito politicamente bonito, mas na pratica todos gostam do titulo que tanto trabalharam para(ou nao, depende da consciencia de cada um). Hoje em dia ha medicos, engenheiros, advogados (as profissoes consideradas as tais pelas mentes limitadas da sociedade)aos pontapes, mas nem todos sabem defender os titulos que ostentam...Kayla

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