segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Não estava à espera desse Amor

Não estava à espera desse Amor - pelo menos não agora, não tão grande, não tão perfeito.


Não estava à espera desse Amor - pelo menos não agora, não tão grande, não tão perfeito.
Todos os Amores quando começam são infinitos e sem pontos finais; as vírgulas só servem para se respirar entre os beijos e tudo cabe nas reticências e nos pontos de exclamação.
Não estava à espera desse Amor que nasceu num dia com sete cores, que, como o Fogo, inspira poetas e amantes. Vermelho… Verde… (Inatingível criação da Natureza).
Chovia e fazia Sol (como que a preparar-nos para as contrariedades que mais cedo ou mais tarde apareceriam a intervalar as alegrias): o cheiro à terra e às hortênsias criava o ambiente único e irrepreensível. Nós, enamorados, contemplávamos as outras cinco cores do céu que todos os corações apaixonados tão bem vêem - que eu vejo e que tu vês – e, de mãos dadas, flutuávamos num Mundo só nosso.
Não somos iguais. Nunca fomos. Eu não te quereria igual – quero-te assim, a contrastar-me (e a realçar-me), a completar-me. Conhecemo-nos há cem, há mil anos (sei lá) - que isto no Amor é tudo intemporal, não há agenda nem calendário padrão, e somos sempre folhas soltas que, ao nos pensarmos organizados, sopra um vento que as baralha e agita. (E tudo treme em mim).
Não estava à espera desse Amor - pelo menos não agora, não tão grande, não tão perfeito: um controlo descontrolado, um íman que desafia a gravidade e nos torna voluntariamente presos um ao outro. Não há amarras, não há cadeados: há arrepios, há sussurros, Invernos de banhos quentes de espuma, miocárdio a palpitar e morangos com chantilly (ou sem ele, quando tu, em tom de brincadeira, dizes que estás de dieta).
 O “nosso” Amor é “meu” desde que te conheci. Tu és as minhas borboletas no estômago (não o sabes, porque eu nunca te disse). Tu não me cantas que eu sou a mais linda porque ainda dormes e eu não te quero acordar. Imperfeita que sou, serei para ti a mais perfeita das mulheres (quando acordares).
Penso em ti. Penso muito em ti. Tu és o meu Amor - Vivo, o meu Amor -Vida: acordas-me, aqueces e animas.
Não estava à espera desse Amor - pelo menos não agora, não tão grande, não tão perfeito, mas o que eu mais queria hoje era que, arrebatadoramente, eu fosse para ti o que tu és para mim.
Porque não acordas?
AMAS-ME?
(Estás a ouvir-me?)
“ … Somewhere over the rainbow
Blue birds fly;
And the dreams that you dream of
Dreams really do come true …”

1 comentário:

  1. E mandas-me a mim escrever um livro, Claudiamar?!
    Está lindo (o prémio foi mais do que merecido!)!

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